O CIF sempre defendeu princípios a que se tem mantido intransigentemente fiel até aos dias de hoje: o amadorismo, a prática do desporto pelo desporto, o respeito na sua prática pelos ideais olímpicos e ser um clube dos sócios e para os sócios.

O CIF, na sua história, como clube eclético que sempre foi, está ligado ao início da prática da maior parte dos desportos praticados em Portugal. Assim foi com o futebol, através do seus fundadores os irmãos Pinto Basto, com o ténis, com o atletismo, com o boxe, com a natação, com o voleibol e tantos outros.

Cingindo-nos ao futebol, o CIF tem o orgulho de poder invocar para si a introdução da sua prática em Portugal através dos irmãos Pinto Basto, quando em 1884 trouxeram de Inglaterra, onde estudaram, a primeira bola de futebol. Foram eles que em 1888, juntamente com alguns amigos, decidiram fazer a apresentação pública deste desporto, num jogo que organizaram no Campo da Parada, em Cascais. Foi este, sem dúvida, o evento que marcou o início do futebol no nosso país.

Mais tarde, os irmãos Guilherme, Eduardo, e Fernando Pinto Basto, juntamente com outros entusiastas deste desporto novidade, fundaram em 1892 o primeiro clube de “Foot-Ball”, o Club Lisbonense. Em 1902, os dirigentes do Lisbonense decidiram fundar o Club International de Foot-Ball, (CIF), acabando, com o seu nascimento, por se extinguir o Lisbonense.

Desde a sua fundação que o CIF esteve na linha da frente do desenvolvimento do Futebol, quer desportivamente, através da qualidade das suas equipas e dos seus jogadores, tendo ganho o primeiro campeonato oficial na época de 1910/1911, quer através da organização das estruturas do futebol e da sua regulamentação. Foram dirigentes do CIF que participaram na definição dos Estatutos e Regulamentos da Liga e da Associação de Futebol de Lisboa, de quem é sócio fundador e de mérito.

O CIF sempre foi considerado e admirado como um dos baluartes do futebol e do desporto em geral, pela qualidade dos seus atletas e dirigentes e pelos princípios que defende para a sua prática e desenvolvimento.
Já na época de 1920/1921, os dirigentes do CIF começam a aperceber-se que algo estava a mudar no futebol. O seu presidente, Alexandre Corte Real, acentuou as críticas à Associação de Futebol de Lisboa, cujas últimas decisões não estavam a agradar aos responsáveis do Clube.

Mas é na época de 1921/1922 que a situação se agrava, quando surge uma polémica sobre a existência de jogadores profissionais nos grupos de futebol filiados na AFL. Eram visíveis as benesses com que os clubes mais importantes iam presenteando os jogadores para alinharem nas suas fileiras, nomeadamente bilhetes de elétrico, refeições, gratificações e outro tipo de regalias.

Digamos que se iniciaram os fundamentos que haveriam de levar o CIF, como intransigente defensor dos valores do amadorismo, a abandonar as competições oficiais. Foi em 1924, que o CIF teve de tomar “A GRANDE DECISÃO”, que iria marcar a escolha de um caminho totalmente diferente do que os restantes clubes da época estavam decididos a trilhar, o “PROFISSIONALISMO”.

E assim nasce, nesse mesmo ano de 1924, precisamente há CEM ANOS, a prática dentro do clube, apenas para sócios do CIF, de um campeonato disputado inicialmente por onze equipas e mais tarde por entre dezasseis e dezoito equipas, nos mesmos moldes do campeonato oficial, totalmente amador, situação que perdura desde esse longínquo ano de 1924 até aos dias de hoje e ininterruptamente.

O CIF optou assim por continuar alheio às “guerras” inevitáveis do desporto indústria, que tem palcos, protagonistas, paixões e interesses diferentes. Aí somos apenas espectadores. No CIF, somos atores, naturalmente menos qualificados, mas muito felizes por podermos atuar sem que ninguém cobre de nós as falhas cometidas. É a essência do desporto amador, o desporto pelo desporto no respeito mútuo dos seus praticantes.

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